Meio&Mensagem

Comunidade saudável

O streamer Alexandre “Gaules” fala sobre os vários formatos e negócios que reforçam o poder dos e-sports

Luiz Gustavo Pacete

No mês de agosto, período que a pandemia já havia provado o crescimento intensivo das transmissões de e-sports e os recordes sucessivos do streamer Gaules, responsável por algumas das lives de maior audiência da plataforma Twitch, uma tripla união chamou a atenção do cenário gamer. A Globo, a Omelete Company e o streamer Alexandre “Gaules” se uniram para a transmissão das etapas do circuito ESL Pro Tour de Counter-Strike: Global Offensive com dois tipos de cobertura: uma exibição no canal de streamer, outra nos canais SporTV e na Gaules TV. Em paralelo, a Omelete Company se tornou sócia de Gaules levando a Gaules TV para seu ecossistema. Ou seja, vários formatos e negócios envolvidos em uma mesma parceria, mas que reforçam o poder dos e-sports perante suas diversas comunidades, como explica Gaules.

Meio & Mensagem — Você se tornou um embaixador dos e-sports brasileiro. Quais elementos do seu trabalho lhe permitiram essa relação com a comunidade?
Gaules — Sem dúvida, a proximidade que sempre tive com a comunidade desde minha adolescência até hoje. Nos últimos anos, quando comecei a criar conteúdo de e-sports, eu também decidi que isso seria uma forma de ajudar outras pessoas que estivessem passando por alguma dificuldade e poder criar um ambiente e uma comunidade saudáveis. Expor os meus pontos fracos e trabalhá-los junto com as pessoas que me acompanham mostrou um lado humano e também que todos nós passamos por altos e baixos, mas que podemos usar tudo isso para aprender e evoluir.

M&M — Falando em comunidade, as marcas ainda estão em um processo de aprendizado em relação ao universo dos e-sports, o que você diria àquelas que querem se associar a figuras como proplayers, streamers e outros?
Gaules — Eu diria que hoje as streams são um canal de comunicação extremamente forte e direto, em que os streamers têm o contato diário com um público engajado e que cresce de forma gigantesca a cada dia. Associar a sua marca a essas figuras torna o seu produto mais humano e cria uma relação que hoje é super difícil de se conseguir quando falamos na questão da ligação entre marcas e pessoas. Os streamers são capazes de posicionar seu produto e sua marca para milhares de pessoas que acompanham, não só as transmissões, mas também sua rotina e estilo de vida. As marcas devem conhecer a história e valores de cada streamer para poder investir em pessoas que fazem sentido para sua marca e produto. É importante não só criar um anúncio, mas sim passar uma verdade na qual a relação entre streamer e marca faça sentido e traga um ganho para cada lado, incluindo as pessoas que serão impactadas por essa parceria.

“As marcas e outros players agora podem investir tanto de uma maneira semelhante aos esportes convencionais, expondo suas marcas, como também têm a chance de criar em conjunto conosco novas formas de impactar seu público”

M&M — Presenciamos um número cada vez maior de marcas entrando no cenário, como você enxerga esse movimento? Qual a importância de ter cada vez mais patrocinadores investindo, mas como entender que ele é diferente dos esportes ditos tradicionais?
Gaules — Eu enxergo como um movimento extremamente positivo e que valida cada vez mais essa massificação dos esportes eletrônicos e games. Ter cada vez mais patrocinadores investindo no cenário nos dá mais estrutura para crescermos, de forma mais saudável, e permite o profissionalismo necessário para que todos tenham uma experiência positiva. Hoje um time, um jogador, um evento ou um influenciador tem junto com ele uma equipe responsável por cuidar do lado comercial e fazer com que tudo saia da melhor forma possível. Para entender a diferença entre os esportes convencionais e o esporte eletrônico basta conversar, por alguns segundos, com algum jovem para ver o quanto ele ama jogar, assistir e acompanhar o cenário competitivo e, cada vez mais, ele desenvolve interesse por esse formato de competição e entretenimento. É importante também as empresas terem um olhar especial para este mercado e contar com profissionais especializados nesta área, ou que tenham um conhecimento sobre o assunto, para poder investir de uma forma assertiva e também se conectar com esse cenário de uma maneira que faça sentido.

M&M — Pode comentar a parceria com Globo e Omelete para transmissão do campeonato de CS GO e a importância de se associar a dois grupos de mídia desta proporção?
Gaules — Esta parceria finalmente coloca o estilo de transmissão que eu criei (uma transmissão mais leve, informal e próxima ao público) no mainstream. Ela valida todo o trabalho que foi realizado nos últimos anos e abre portas para que mais pessoas possam ter acesso ao CS GO e mais marcas também tenham o interesse e desejo de se aproximar deste mercado. É um sonho poder saber que hoje estamos dentro das casas de pessoas de todo o Brasil e vários outros países do mundo.

M&M — Com esse movimento, quais as oportunidades que surgem para marcas e outros players interessados em investir?
Gaules — Diversas oportunidades são criadas. As marcas e outros players agora podem investir, tanto de uma maneira semelhante aos esportes convencionais, expondo suas marcas, quanto também têm a chance de criar em conjunto conosco novas formas de impactar seu público e trazer novas campanhas, em um formato que antes ela não conseguia fazer. O esporte eletrônico é o futuro, a forma que ele conecta e as ferramentas que ele possui são únicas.

M&M — Os e-sports vêm se popularizando fora do ecossistema, ou seja, chegando ao mainstream, qual a importância disso para os profissionais que atuam neste cenário?
Gaules — É a validação de todo trabalho e empenho que a comunidade tem feito nas últimas décadas! Desde o começo dos e-sports até os dias de hoje, milhares de pessoas no Brasil e no mundo trabalharam duro para mostrar o valor e a importância deste segmento. Poder chegar no mainstream é a recompensa desta dedicação! Isso faz com que mais dinheiro e investimentos cheguem para profissionalizar ainda mais o mercado e cada vez mais concorrer de igual pra igual com outros meios e formatos de mídia.

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