Meio&Mensagem

Verdade e autenticidade ao vivo

Nicky Mitrava, streamer do Clã Buique, explica a importância de se expressar nos games

Luiz Gustavo Pacete

O público feminino já representa quase 54% do mundo dos games. Ainda assim, o caminho da inclusão de gênero no cenário é longo. E dentro do tema diversidade, a representatividade LGBTQIAP+ se torna um desafio ainda maior, sobretudo pelas camadas de preconceito dentro deste universo. Porém, com cada vez mais exemplos, aos poucos, o ecossistema vai se ajustando e a pauta da diversidade fica cada vez mais representativa. O Clã Buique, formado pelas streamers Lucroft, Demi, Sabrinoca e Nicky Mitrava, ilustra essa resistência e reforça que nos games se expressar também é importante. O Clã possui uma parceria com a plataforma Nimo TV. Nicky Mitrava entende que, com um número cada vez maior de pessoas entrando e se interessando neste cenário, é necessário se reinventar a cada dia e que, mesmo que o preconceito perdure, muitas conquistas já podem ser celebradas.

Meio & Mensagem — Como começa sua história com o streaming, o que te atraiu neste universo?Nicky Mitrava — Me apaixonei pelos games desde criança. Eu pegava centavos e ia para as lan houses jogar meia hora escondido dos meus pais. Os jogos sempre foram uma diversão e por eu gostar muito, comecei a assistir muitos streamings. Algumas pessoas começaram a me incentivar a começar a fazer streaming, na época eu já era amiga da Samira Close e tomei coragem. Achei que nunca ia dar em nada, mas eu fiquei, persisti e hoje tenho meu público, criei a minha comunidade e base de fãs. Foi muita persistência e o resultado chegou.

M&M — O que você classifica como importante num streaming? É capacidade de comunicação? É o conhecimento do jogo?
Nicky — Acho que o mais importante é o streamer ser verdadeiro e autêntico com a sua comunidade. Ninguém é igual a ninguém e isso fará com que ele se diferencie dos demais. Quando o seu intuito é entretenimento e não ser um Pro Player ou ensinar gameplay, como é o meu caso, a comunicação acaba sendo mais relevante. Mais do que saber jogar, tem que saber lidar com o público e criar uma comunicação verdadeira, autêntica e que faça sentido para quem está te acompanhando.

M&M — Como você se relaciona com seus fãs e comunidade e o que você aprende com eles?
Nicky — Meu relacionamento com os fãs é bem amplo e direto. Estou sempre em contato com eles, tentando ao máximo mostrar o quão importantes eles são para mim. Da mesma forma que eles demonstram todo o carinho por mim e me acompanham nos eventos, inclusive agora, com os eventos online, ficou muito mais fácil essa relação. É raro eu ter algum tipo de problema, mas se acontece, a comunidade que criamos é tão boa que eles tomam partido, da mesma forma que eu vou defendê-los sempre que for preciso.

M&M — Quando e como você começou a trabalhar com as marcas? Pode comentar alguns cases e destacar desafios e aprendizados?
Nicky — Eu comecei a trabalhar com marcas menores, pequenas lojas. E na Brasil Game Show do ano passado, eu tive a primeira parceria grande, no estande da Pichau. E foi a primeira vez que eu saí do online para o contato físico com o público representando uma marca. Foi um aprendizado bacana.

M&M — O que uma marca deve levar em consideração ao se associar a você? É sobre entender sua comunidade? Respeitar seu processo criativo?
Nicky — A marca precisa entender que eu represento a comunidade LGBTQIAP+ e que essa representatividade é o que mais vale para mim, uma vez que eu quero, e dou, voz a essas pessoas. Não é apenas sobre mim ou que a marca fala sobre mim, mas o que ela representa e como acolhe todo o meu público, que é engajado na causa.

“Acho que o mais importante é o streamer ser verdadeiro e autêntico com a sua comunidade. Ninguém é igual a ninguém e isso fará com que ele se diferencie dos demais. Quando o seu intuito é entretenimento e não ser um Pro Player ou ensinar gameplay, como é o meu caso, a comunicação acaba sendo mais relevante. Mais do que saber jogar, tem que saber lidar com o público e criar uma comunicação verdadeira”

M&M — Qual a importância de ter parcerias com uma plataforma como a Nimo TV?
Nicky — Eu não consigo nem explicar o tanto que a Nimo TV já me ajudou, como ela foi essencial na minha vida. Inclusive, as minhas primeiras parcerias grandes, como a da Pichau, foram encaminhadas pela Nimo TV. Esse apoio que eles dão, não só para mim, mas para toda comunidade LGBTQIAP+ que “streama” na plataforma é muito importante para quebrar barreiras no mundo dos games.

M&M — Recentemente, a Anitta começou a se associar a esse universo, que tipo de impacto isso causa? Uma artista do mainstream mostrando a importância dos games?
Nicky — Tem dois lados. Eu já vi gente falando que é injusto, que está tirando o lugar de outras pessoas que estão no mercado de games há mais tempo. Mas por outro lado, quando ela ou outras celebridades embarcam no nosso mundo, permite que muitas pessoas que não conheciam este universo passem a se interessar pelas lives. Quando esta personalidade não está online, essas pessoas começam a buscar outras opções, dando assim espaço para todos os streamers.

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